A NORTE
Sabemos pouco do Norte, os que vivemos a Sul. As televisões ignoram-no, os jornais afloram o que por lá se faz. É por isso, sempre com emoção que subimos acima de Guarda, que se mergulha em território transmontano. Se sobrevivermos aos Ips, entramos em estradas sinuosas, ladeadas de montes altos, serras, montanha. A terra a retalhar-se em socalcos cobertos de vinha. Em baixo, muito em baixo, o rio. O Cávado, o Douro... e os outros todos de que lembramos os nomes apenas dos livros escolares.
As cidades cresceram desmesuradamente, descaracterizando-se tanto como a Sul. Pressuponho que as populações vivam melhor do que antes, no meio de tantas casas e ruas. Na verdade vi por todo o lado "Centros de Cultura", falta-me saber se com programação regular, mas acredito que sim.
O povo é afável e pronto a ajudar nas direcções: "Estás a ver a Sá Carneiro?! (não, não estava...) Vais por ela adiante, chegas lá à frente e viras para a Bouça...". Na mesa, a carne. A posta. Mirandesa ou de outro lado qualquer. Já para os legumes, só na sopa, benza-os deus. E tantos que por lá se avistam, luxuriando-se nas hortas, junto aos caminhos.
Sabemos pouco do Norte, aqui, no Sul. Mas bem-haja a renovada descoberta que fazemos em cada viagem.
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